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Nuvens negras (no sentido figurativo, não nas velas japonesas) estão a formar-se claramente sobre o apetite pelo risco. Wall Street teve ontem um desempenho muito fraco e os índices asiáticos estão em baixa. O nosso barómetro favorito para o risco, o Xangai Composto, está a perder 2.33%. O índice Baltic Dry fechou em baixa nos últimos dois dias. Quer o Norges Bank, quer o RBNZ estiveram significativamente menos agressivos do que os mercados esperavam, provocando uma redução nas expectativas das taxas. Os dados económicos dos EUA, Reino Unido, zona Euro e Japão não impressionaram e, de facto, apontam para um declínio na recuperação. Com o aniversário do crash de 1929 na mente dos traders, vamos hoje ter o crítico PIB dos EUA. Depois do desapontante PIB do Reino Unido na semana passada, um crescimento fraco dos EUA irá fazer com que as negociações de risco fiquem muito vulneráveis. O ouro foi o primeiro a atingir o topo, a $1070, parecendo que os traders estão agora a seguir a direcção do preço do crude. Acreditamos que esta correcção a curto prazo tem a ver com a redução das expectativas de crescimento do G4 e não deverá tornar-se num cessar completo do sentimento pelo risco. Porém, com a rápida subida do VIX para 27 e da queda de 3% do crude, a situação não parece muito boa para os que apostam nas negociações de risco. No Japão, a produção industrial superou as expectativas a +1.4% m/m (contra 1.0% exp. e 1.6% ant) e -18.9% y/y (-19.3% exp., -19.0% ant.), a sétima subida mensal consecutiva. Isto deverá ser suficiente para que os indicadores da inflação e do desemprego saiam do fundo. Antes, o RBNZ manteve a sua taxa de juro nos 2.50% como o mercado esperava. As declarações após o anúncio foram mais suaves do que o mercado esperava, com o texto a não remover a ameaça de mais cortes nas taxas ou adiantar a sua previsão para a subida das taxas (continuando a tendência de declarações de bancos centrais menos agressivas). A reacção inicial foi a venda do NZD/USD para 0.7165, mas desde então já recuperou. Parece claro que o banco central está preocupado com a força do NZD e acredita que precisa colocar um travão nas expectativas. A declaração indicou que “o elevado nível do dólar neozelandês tem limitado a contribuição das exportações para a recuperação, reforçando uma tendência em direcção aos gastos domésticos”. Olhando em frente para a sessão de hoje, vai haver uma série de publicações de dados chave. Primeiro vamos ter as vendas a retalho da Noruega (Set), onde o mercado espera uma subida de 0.4% MoM, depois do ganho de 0.3% no mês passado. A série de dados impressionantes da Noruega nos últimos meses tem feito subir as ambições e este número não deverá ser excepção. Porém, se houver uma queda, o NOK poderá sofrer de forma aguda, já que o posicionamento e o sentimento do mercado estão hoje a apontar para uma redução nas divisas ligadas às matérias-primas. A outra grande publicação na sessão europeia vai ser a confiança do consumidor da zona Euro (-18 esperados, -19 anteriores). Dado o sentimento, acreditamos que a tendência favorece a fraqueza do EUR/USD, já que um número mais forte dificilmente irá ser suficiente para provocar uma compra de euros, enquanto um valor mais fraco vai ajudar certamente à actual onda de aversão ao risco. Para hoje, o sentimento mantém-se claramente crítico com a publicação do PIB dos EUA para o Q3, com o consenso do mercado a apontar para um crescimento de 3.2% q/q. Porém, com alguns analistas a reduzirem as suas previsões, as expectativas poderão ser um pouco menos optimistas.


