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Apesar do boost temporário no apetite pelo risco, os mercados estão ainda muito aversos ao risco. As preocupações com as dívidas soberanas tomaram o palco central, pesando no EUR ontem, depois de um artigo no Financial Times ter dito que os responsáveis da UE estão a desenvolver um plano de resgate para a Grécia. Uma fonte anónima disse que “poderemos actuar quando as políticas de um país colocarem em risco a estabilidade económica e monetária”. À medida que a pressão aumenta, o spread a 10 anos da Grécia sobre a Alemanha subiu para o máximo de sempre, perto dos 400 pontos e, de longe, o maior da UE. Porém, as preocupações não são apenas com a Grécia. Os mercados discutiram também o último orçamento de Portugal e a possível redução no rating de crédito. Portugal alargou-se 59 pontos desde o início de Janeiro. O EUR/USD caiu por momentos para o mínimo de sete meses a 1.3912, mesmo para a cobertura de nuvens semanal, sendo um sinal bearish para o risco. O USD/BRL fechou acima da MM de 200 dias pela primeira vez desde Maio de 2009. O dólar continuou a subir na sessão asiática, com a queda das bolsas (seguindo Wall Street), liderada pelo Nikkei, que registou uma queda de -2.0%. Os preços das matérias-primas seguiram também a erosão na confiança dos mercados, com o Cobre (um activo cíclico duradouro) agora em segurança abaixo da linha de suporte bullish a um ano. A prejudicar também as negociações ligadas ao risco, esteve a óbvia preocupação pelo facto da tendência de aperto estar agora a acontecer no G10 e nos bancos centrais dos mercados emergentes. A reunião da FOMC e do RBNZ, cada um à sua maneira, indicou que está iminente uma saída, enquanto a China colocou em marcha uma abordagem à regulação do ritmo da expansão do crédito, ao aumentar as taxas de reserva (e com outros bancos centrais dos mercados emergentes a seguirem o mesmo caminho). Com os dados económicos no motor do crescimento global, a Ásia, ainda a rugirem (o sentimento negocial da China sugere fortes condições negociais, enquanto a produção manufactureira da Tailândia subiu 35.7% YoY), o bom sentimento de euforia provocado por uma liquidez sem fim poderá estar a acabar. Para nós, este período de ajuste de três meses vai criar negociações instáveis no Forex, com uma ligeira tendência positiva para o USD (beneficiando de dados mais firmes da economia dos EUA e da redução do risco). Por outro lado, estamos extremamente bearish no JPY. O BoJ está a sofrer com uma crítica crise de credibilidade. Os mercados ficaram claramente desorientados com a “clarificação” do BoJ, que disse que “não tolera uma taxa inter-anual do IPC igual ou abaixo de 0 porcento”. O IPC bruto sofreu a sua maior queda hoje (os registos começaram em 1970), caindo 1.3% YoY e contrariando o que o BoJ disse na terça-feira, isto é, que a deflação é mais ligeira que o esperado. Portanto, agora, temos o Japão numa grave espiral deflacionária e um banco central que está a ter muitas dificuldades em articular quais são realmente as suas políticas de estabilidade dos preços. Suspeitamos que o BoJ vai empenhar-se verbalmente para uma política acomodativa mais extensa, intervindo fisicamente para travar qualquer força prolongada do JPY, aumentando a compra de JGB. Estas são acções que poderão fazer o JPY enfraquecer-se. Hoje temos muitas publicações de dados, mas vamos observar com mais atenção a primeira estimativa do PIB do Q4 nos EUA: tendo em conta os grandes inventários, que surpreenderam recentemente pela positiva, acreditamos que o PIB está também inclinado para uma subida, o que deverá dar um boost ao dólar.


