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Central Bank of Brazil
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Discurso do presidente do Banco Central em jantar anual de confraternização da Febraban


São Paulo, 24 de novembro de 2011.

Jantar Anual dos Dirigentes de Bancos Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF)

Pronunciamento do Presidente do Banco Central do Brasil, Ministro Alexandre Tombini

Senhoras e senhores aqui presentes

É com grande satisfação que nos reunimos hoje nesse tradicional jantar anual promovido pela CNF e pela Febraban. Trata-se de um momento de confraternização. Mas também, uma oportunidade para fazermos um balanço deste ano de 2011, repleto de desafios, os quais soubemos superar com muito trabalho, dedicação e responsabilidade.

Vou concentrar a minha fala de hoje procurando fazer uma breve retrospectiva deste importante momento da economia brasileira.Inicialmente, não poderia deixar de parabenizar os organizadores deste evento, e fazer coro a esta homenagem, mais do que merecida, ao amigo Fábio Barbosa.

Foram vários anos dedicados ao desenvolvimento do Sistema Financeiro Nacional. Nos três últimos anos, à frente da Febraban e da CNF, soube conduzir com
maestria discussões importantes, que com certeza contribuíram para o fortalecimento do segmento. 

Fábio, desejo a você muito sucesso nessa nova etapa!

Senhoras e senhoras

Estamos a pouco mais de um mês do final do ano.

Terminamos 2010 e iniciamos o presente ano com um cenário macroeconômico complexo.

A inflação corrente mensal estava em patamar alto e em elevação. Em grande medida, consequência da trajetória de forte elevação dos preços das commodities que teve início no segundo semestre de 2010 e que se estendeu até os primeiros meses do ano corrente. Contribuíram também pressões nos preços dos combustíveis, a concentração atípica de reajustes em preços administrados e cho-ques decorrentes de efeitos climáticos adversos sobre os preços dos alimentos.

Some-se a isso, um descompasso entre as condições de demanda e oferta na economia.

O crédito à pessoa física se expandia a um ritmo forte. E o que era mais importante, observávamos uma dilatação demasiada dos prazos de algumas modalidades de crédito ao consumo, inclusive com estruturas de garantia pouco adequadas. Isto implicava aumento excessivo do risco.

A economia brasileira também observava no início do ano um intenso e vultoso fluxo de ingresso de capitais estrangeiros. Parcela relevante deste fluxo era composta por capital volátil, o que representava fonte de riscos à estabilidade financeira e produzia distorções nos preços de ativos, inclusive da taxa de câmbio. Estes capitais, no volume e intensidade com que ingressavam, também contribuíam para ampliar e intensificar a expansão do crédito doméstico, o que alimentava ainda mais as pressões inflacionárias.

Em síntese, observávamos no início do ano uma combinação de riscos à estabilidade dos preços e da própria economia.

A resposta a esses riscos foi abrangente.

O Governo pôs em prática uma ampla e consistente coordenação das ações de política econômica.

Para conter as pressões inflacionárias e manter a estabilidade dos preços, o Banco Central promoveu um processo de ajuste das condições monetárias, aumentando a meta da taxa de juros em 1,75 ponto percentual entre janeiro e julho.

Foram adotadas medidas para moderar a tomada excessiva de riscos nas operações de crédito ao consumo, o ingresso de formas muito voláteis de capitais internacionais e as exposições em derivativos cambiais.

Adicionalmente, o Governo Federal promoveu uma consolidação fiscal, comprometendo-se, no início do ano, em reduzir os gastos públicos e gerar um superávit primário da ordem de R$ 117 bilhões, o qual posteriormente foi ampliado em R$ 10 bilhões.

Estas medidas fiscais contribuíram para a moderação da demanda e, consequentemente, para a contenção das pressões inflacionárias.

O resultado dessa resposta de política econômica é visível.

A inflação acumulada em doze meses, como previsto pelo Banco Central, alcançou o nível máximo no terceiro trimestre. E desde outubro começou a recuar e,
assim, a se deslocar na direção da trajetória de metas.

As medidas macroprudenciais contribuíram para manter o bom funcionamento dos nossos mercados no período recente de alta volatilidade no sistema financeiro internacional. O fluxo de capital volátil moderou; os prazos ampliaram-se e a natureza do capital que ingressa agora é de melhor qualidade.

Em suma, o conjunto dessa política abrangente contribuiu e contribuirá para mitigar os efeitos do cenário econômico e financeiro internacional que deve continuar apresentando um grau de incerteza acima do usual.

De fato, como prognosticado pelo Banco Central, houve uma substancial e generalizada deterioração do cenário internacional. Tendência essa que prossegue, ainda que sem a ocorrência de um evento extremo, de ruptura. Mas essa deterioração tem importantes e significativos impactos na dinâmica da atividade econô-mica e da inflação,  por diferentes canais de transmissão,  justificando a implementação de ajustes moderados na taxa básica de juros.

No ano de 2011 também promovemos importantes aperfeiçoamentos na regulamentação prudencial, das práticas bancárias e da supervisão do sistema financeiro.

Logo no início do ano, divulgamos o cronograma de implementação de Basiléia 3, que se estende até 2019. Com isso fornecemos às instituições financeiras elementos para planejarem adequadamente suas necessidades de capital e de liquidez, de forma a permitir uma adaptação eficiente aos novos padrões prudenciais.

Atento à recente expansão da emissão e utilização de cartões, o Banco Central regulamentou a cobrança de tarifas desse instrumento e estabeleceu o pagamento mínimo da fatura mensal do cartão de crédito. Tais medidas foram adotadas visando assegurar que este importante meio de pagamento continue crescendo de forma sustentável e transparente.

No âmbito da supervisão, especialmente com a edição da Resolução 4019, consolidamos e ampliamos o leque de medidas prudenciais preventivas que o Banco Central pode utilizar quando detecta alguma situação que indique risco acima da capacidade de controle e gerenciamento da instituição ou comprometimento de sua viabilidade, presente ou futura.

Criamos também o Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), ampliando a coordenação do processo interno de avaliação da estabilidade financeira e de definição de diretrizes e estratégias para mitigar riscos ao sistema financeiro nacional.

Vale citar, igualmente, a obrigatoriedade do registro de operações de crédito negociadas entre as instituições financeiras em um sistema especificamente criado para essa finalidade, provendo maior segurança nas negociações. A materialização desse desenvolvimento ocorreu por meio da criação da Central de Cessão de Crédito, C3, já em operação. Esse movimento é crítico para o bom funcionamento de um importante instrumento de distribuição de liquidez entre os agentes financeiros.

Não menos importante é o aprimoramento do Sistema de Informações de Créditos (SCR), que proporcionará, a partir de 2012, uma maior abrangência das informações, possibilitando um melhor acompanhamento do risco no SFN. As instituições financeiras passarão, por sua vez, a contar com maior detalhamento das informações para subsidiar o processo de concessão de crédito e o cidadão poderá se beneficiar da melhor precificação da operação.

A Supervisão vem permanentemente aperfeiçoando suas metodologias de análises para avaliação dos planos de negócios, das estratégias adotadas e da própria viabilidade das instituições, em cenários de curto, médio e longo prazos. O equilíbrio entre a metodologia de supervisão focada em riscos e em modelos e as práticas de supervisão mais tradicionais é um ponto importante, implicando em atitudes intrusivas, proativas, abrangentes e conclusivas.

Promovemos também ações e medidas no sentido de reduzir a burocracia e aumentar a eficiência do sistema.

Nesse escopo, destaco o novo sistema de câmbio, que entrou em funcionamento no inicio de outubro. Com esse novo sistema, as instituições financeiras passam
a ter que responder apenas um único e mais simples formulário padrão, enquanto no sistema anterior eram 9 tipos de formulários. Houve uma redução de 30% de
campos a serem preenchidos e de 70% no custo de ressarcimento financeiro ao Banco Central.Foi também introduzido o processamento digital de cheque, trabalho que contou com a colaboração e o investimento em tecnologia das próprias instituições financeiras. Essa medida implica em redução do tempo de compensação de cheque, redução de custos para o sistema, com economia de mais de R$ 100 milhões por ano com logística, e benefícios diretos ao meio ambiente, pela significativa redução na emissão de CO2.

A propósito, a busca da eficiência tem sido a tônica das ações do BCB, sejam nas ações de impacto interno, cujos benefícios são difusos para a sociedade, sejam nas ações com impacto direto no cotidiano da sociedade. Nesse sentido, destaco também o “sistema normativos”, que consolidou as normas do Conselho
Monetário Nacional e do próprio Banco Central. Trata-se de uma medida simples, mas com grande impacto, tanto para o Banco Central, quanto para os usuários
desses normativos.


Estas e outras medidas aqui não relacionadas também estão plenamente inseridas na missão institucional do Banco Central de assegurar a solidez do sistema financeiro. E mais, promover um sistema financeiro eficiente, competitivo e inclusivo.

Senhoras e senhoras

Embora cientes de que temos pela frente um cenário econômico global de desafios e incertezas, estamos seguros de que mais uma vez a economia brasileira e o Sistema Financeiro estão bem preparados. Não obstante, devemos ter sempre em mente que estabilidade é um bem social que se constrói e se conquista a cada dia, porque se funda na fidúcia, na credibilidade. Mais que isso, devemos ter em mente que, se a manutenção da estabilidade financeira é uma das razões da existência do Banco Central, ela é responsabilidade e deve ser compromisso de todos aqui presentes, de todos que escolheram atuar no sistema financeiro e que vêm recebendo dia após dia, da Autoridade Reguladora e Supervisora – e sobretudo da sociedade –, um voto de confiança.

Por fim, gostaria de ressaltar que, em todas as oportunidades, tenho repetido que o Brasil vive hoje um momento ímpar. Reunimos condições para crescermos de
forma sustentável pelas próximas décadas. E o Governo está plenamente empenhado com políticas públicas para que este cenário se concretize e se traduza em benefícios efetivos para toda a sociedade.O ano de 2011 tem sido de grandes desafios. Mas como mencionei no início, estamos superando-os com muito trabalho, dedicação e responsabilidade. Mais do que isso, demonstramos – governo e iniciativa privada  - a nossa capacidade de assegurar a estabilidade econômica e financeira. E mesmo diante de um cenário internacional conturbado, a nossa solidez tem sido sistematicamente reafirmada; a classificação de risco do Brasil foi melhorada pelas três principais agências ao longo deste ano.


Hoje é um dia de confraternização. De comemoração de mais um ano de realizações.

Por isso, gostaria de encerrar minha fala desejando a todos boas festas de final de ano e um próspero 2012.

Muito obrigado

Alexandre Tombini
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