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Discurso do Presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini na Associação Brasileira de Bancos Internacionais – ABBI
São Paulo, 31 de Outubro de 2011. Discurso do Presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini na Associação Brasileira de Bancos Internacionais – ABBI Prezado Hélio Duarte, presidente da Associação Brasileira dos Bancos Internacionais – ABBI Prezados Presidentes e representantes das associações aqui presentes. Senhoras e Senhores Inicialmente, quero agradecer à ABBI pelo convite. É mais uma oportunidade para ressaltar a importância desse grupo de instituições financeiras para o desenvolvimento do Sistema Financeiro Nacional e da economia do nosso País. Pretendo aproveitar o momento para falar um pouco sobre a regulação prudencial, o cenário econômico internacional e os resultados da condução da política monetária em 2011. Senhoras e senhores A economia brasileira vem passando por uma profunda transformação nos últimos anos. Há mais de uma década vivemos em um ambiente de estabilidade, fruto de um arcabouço de políticas econômicas consistente. Combinado com a adoção de outras políticas públicas, este arcabouço de política econômica permitiu que o Brasil retomasse o processo de crescimento sustentável e inclusivo. O resultado concreto é que a sociedade brasileira vive hoje no mais elevado nível de bem estar das últimas décadas. E o mais importante: nossas perspectivas são favoráveis. Continuaremos crescendo de forma sustentável, com ampliação da classe média, redução da pobreza e com geração de oportunidades de investimento e emprego. É nesse contexto que eu gostaria de ressaltar a importância dos bancos internacionais. O Governo Brasileiro reconhece a relevância da presença de instituições financeiras estrangeiras no Sistema Financeiro Nacional. Algumas instituições, inclusive, já estão no Brasil há mais de um século. Como mencionei há pouco, as perspectivas para a economia brasileira são favoráveis para as próximas décadas. Há inúmeras oportunidades de investimentos, as quais demandarão vultosos recursos. E é natural que parcela desses investimentos seja realizada com capitais estrangeiros. Ademais, estamos num claro processo de internacionalização das empresas brasileiras. Seja por meio da ampliação das exportações, inclusive para novos mercados, ou da instalação de unidades produtivas em outros países. Os bancos internacionais cumprem um papel relevante nesse processo, facilitando nossa parceria com investimentos estrangeiros, financiando o fluxo de comércio e a realização de diferentes tipos de negócios. Nos últimos anos o Brasil vem se beneficiando de um intenso fluxo de investimentos estrangeiros. E parte significativa desses recursos flui via instituições financeiras estrangeiras que, de certa forma, ajudam a propagar as qualidades e oportunidades da economia brasileira junto a seus clientes nos diversos países em que estão presentes, transformando-os em potenciais investidores no Brasil. A propósito, gostaria de ressaltar que no último dia 03 de outubro passou a funcionar o novo Sistema de Câmbio do Banco Central. O novo sistema traz inovações na área de tecnologia, simplificando e racionalizando processos, bem como reduzindo custos. Em última instância, são aperfeiçoamentos que contribuem para reduzir a burocracia e os custos das empresas, contribuindo para aumentar a competitividade da nossa economia. O desenvolvimento dessa nova ferramenta consumiu quase dois anos de intenso trabalho no Banco Central, contando com subsídios valiosos dos bancos internacionais, canalizados via a ABBI, dada a sua experiência e expertise nas operações envolvendo câmbio. A importância dos bancos internacionais não se resume ao processo de integração global. A presença de bancos estrangeiros no Brasil contribui também para o fortalecimento do próprio Sistema Financeiro Nacional, ao disponibilizar tecnologias, produtos e serviços inovadores aos clientes brasileiros. Enfim, contribui para aumentar a eficiência e a competitividade do segmento financeiro brasileiro, tanto nas operações de atacado, onde se concentra a grande parte das operações envolvendo fluxo de capitais, quanto nas operações de varejo. Por esses e outros motivos é que a legislação e regulamentação brasileira referente à constituição e funcionamento de instituições financeiras não impõe qualquer distinção quanto à origem do capital, seja ele nacional ou estrangeiro. O arcabouço regulatório é único. Aplica-se de forma integral a toda e qualquer instituição financeira que atue ou queira atuar no Sistema Financeiro Nacional. A exigência de capital regulatório segue essa mesma linha de raciocino, devendo o capital ser constituído em nosso País, o que contribui para a solidez do nosso sistema. A regulação prudencial no Brasil é mais rigorosa que a adotada pela maioria dos países. E isto ajuda a proteger o nosso sistema financeiro em momentos de turbulência internacional. Esse rigor é positivo, sem, no entanto, impedir o pleno desenvolvimento do setor. Com essa nossa experiência diferenciada, nos últimos dois anos, participamos ativamente do processo de discussão e aperfeiçoamento da regulação prudencial internacional. O acordo de Basiléia III, o qual apoiamos integralmente, irá contribuir para que tenhamos regras prudenciais harmônicas e um sistema financeiro internacional mais seguro e estável nos próximos anos. Olhando para o cenário internacional e suas implicações para a economia brasileira, gostaria de fazer algumas considerações. O Banco Central, desde o início do ano, tem alertado sobre a complexidade do cenário econômico internacional e seus desdobramentos pós-crise. Nossa visão era então, e permanece, que a saída de crises de sobreendividamento é mais demorada. Demanda a adoção e superação de processos de ajuste e desalavancagem de balanços, sejam eles privados ou públicos. A essa característica estrutural se soma uma combinação de fatores conjunturais que tornaram o ambiente econômico internacional especialmente volátil e complexo. Além dos eventos ocorridos ao longo de 2011, há uma nítida percepção de esgotamento do grau de manobra das políticas fiscal e monetária nas economias mais avançadas. Ou seja, parte do pessimismo diante do processo de desaceleração da economia global vem da consciência de que importantes instrumentos capazes de incentivar a retomada do crescimento nessas economias não podem mais ser ativados com a celeridade e intensidade de 2008-2009. Isto dificulta soluções definitivas a problemas cujas origens remontam à crise de 2008. Com isso, as expectativas em torno do crescimento da economia global para 2011 e 2012, que já eram modestas, começaram a ser revisadas, particularmente a partir de julho. Observou-se em agosto e setembro uma substancial deterioração do cenário internacional, com reduções generalizadas e de grande magnitude nas projeções de crescimento para os principais blocos econômicos. No bojo dessas revisões e de observações reais de dados de atividade abaixo das expectativas, os níveis de confiança dos empresários e dos consumidores quanto às perspectivas da economia apresentaram, quase que de forma sincronizada, forte retração nesse período. O pessimismo, conjugado com a percepção de dificuldades políticas na resolução da crise da Europa, resultou em volatilidade nos mercados financeiros, que tem oscilado desde então. Diante da volatilidade dos mercados, os líderes europeus promoveram novas iniciativas de coordenação na busca por soluções ao longo do mês de outubro. Na expectativa de algo positivo está havendo certa acomodação dos mercados neste momento. Os anúncios relacionados com a Reunião de Cúpula dos Países Europeus na semana passada parecem promissores, embora os detalhes e o processo de implementação sejam críticos para mostrar se estamos avançando concretamente para uma solução. De qualquer forma, tais iniciativas reduzem, no momento, as chances de acidentes de percurso. No entanto, mesmo com o início do processo de resolução da crise européia, é provável que a economia global ainda sofra dos fatores estruturais mencionados. Com isso, permanece vigente o cenário que se consolidou nos últimos meses de baixo crescimento para a economia global nos próximos anos. Nesse contexto, consequentemente, continuaremos observando o adiamento do processo de normalização das condições financeiras e monetárias nas economias avançadas. Senhoras e Senhores A economia brasileira está preparada para enfrentar esse cenário internacional complexo. O Brasil hoje é uma economia dinâmica, com um mercado doméstico forte, uma classe média em expansão, um parque produtivo diversificado e um sistema financeiro sólido. Tudo isso se traduz em boas perspectivas para o crescimento econômico nas próximas décadas. Ademais, possuímos atualmente colchões de liquidez, tanto em divisas internacionais quanto em Reais, o que nos dá mais tranquilidade para enfrentarmos períodos adversos na economia internacional. A solidez da nossa economia e do nosso sistema financeiro tem sido sistematicamente reafirmada pelas agências de classificação de risco. O Brasil é grau de investimento. E em 2011, mesmo diante de um cenário internacional conturbado, tivemos nossa classificação melhorada pelas três principais agências. É por tudo isso que temos sido um importante polo de atração de investimentos produtivos e em infraestrutura. Contudo, senhoras e senhores, mesmo diante das declarações e reafirmações da solidez da economia e do sistema financeiro brasileiro, em momento algum nos descuidamos. Sempre nos mantivemos vigilantes, adotando medidas prudenciais, quando necessárias, de forma tempestiva, visando a assegurar a estabilidade do sistema financeiro e a solidez da nossa economia. É dever do Banco Central atuar de forma pró-ativa, visando a mitigar potenciais riscos, principalmente quando eles não são perceptíveis ou mesmo não são aceitos pela maioria dos agentes. Crises impõem desafios muitas vezes inesperados. Realocam rapidamente portfólios. Mudam tendências sem bases claras nos fundamentos. Diversas medidas prudenciais que adotamos ao longo de 2011 são fruto de lições passadas, inclusive das aprendidas na crise de 2008. Foram medidas para moderar o crescimento desequilibrado do crédito, o ingresso de formas muito voláteis de capitais internacionais e as exposições em derivativos cambiais. Evitou-se com isso a assunção de riscos excessivos, tanto no mercado de crédito quanto no mercado de câmbio. Estas e as demais medidas prudenciais contribuíram para manter o bom funcionamento dos nossos mercados no período recente de alta volatilidade no sistema financeiro internacional. Bem como contribuirão para mitigar os efeitos do cenário econômico e financeiro internacional que deve continuar apresentando um grau de incerteza acima do usual. Sobre os resultados da política monetária gostaria de dizer o seguinte. A inflação está no processo de convergência para o centro da meta no próximo ano. Após alcançar o nível máximo no terceiro trimestre, a inflação acumulada em doze meses começa a recuar a partir de outubro e, assim, a se deslocar na direção da trajetória de metas. Essa inversão de tendência, por si só, contribuirá para melhorar as expectativas dos agentes econômicos, em especial, dos formadores de preços, sobre a dinâmica da inflação nos próximos trimestres. Adicionalmente, a melhora no sentimento sobre a inflação será potencializada pelo processo, ora em curso, de reavaliação do ritmo da atividade, doméstica e externa. Os ajustes promovidos nas condições monetárias até julho, cujos efeitos ainda serão plenamente absorvidos; as ações macroprudencias; as iniciativas recentes de contenção das despesas do setor público, e a substancial deterioração do cenário internacional, quando combinados, representam importantes fatores de contenção da demanda. Diante desse quadro, o Banco Central entende que ajustes moderados no nível da taxa básica são consistentes com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012. Prezado Helio Duarte Prezados Presidentes e representantes das associações aqui presentes. Senhoras e Senhores |

| Bovespa | 56590.24 | +2077.08 | +3.81% | |||
| PSI 20 | 4684.63 | -57.42 | -1.21% | |||
| DAX | 6394.30 | +63.26 | +1.00% | |||
| SPX 500 Futuros | 1318.25 | +2.50 | +0.19% | |||
| NQ 100 Futuros | 2551.10 | +7.60 | +0.30% | |||
| US 30 | 12504.48 | +135.10 | +1.09% | |||
| Índice Dólar | 81.13 | +0.04 | +0.05% |
| Petróleo Brent | 109.34 | +0.54 | +0.49% | |||
| Petróleo | 93.24 | +0.38 | +0.41% | |||
| Ouro | 1588.45 | -0.25 | -0.02% | |||
| Prata | 28.395 | +0.074 | +0.26% | |||
| Cobre | 3.518 | +0.017 | +0.47% | |||
| Café E.U. C | 174.43 | -3.52 | -1.98% | |||
| Gás Natural | 2.719 | +0.029 | +1.10% |
| Euro Bund | 143.16 | -0.29 | -0.20% | |||
| Euro BTP | 101.13 | +0.82 | +0.82% | |||
| Euro BOBL | 125.895 | -0.110 | -0.09% | |||
| Euro SCHATZ | 110.643 | -0.010 | -0.01% | |||
| US 10 YR T-Note | 133.37 | -0.20 | -0.15% | |||
| US 30 YR T-Bond | 147.18 | -0.58 | -0.39% | |||
| Japan Govt. Bon. | 143.24 | -0.04 | -0.03% |