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22.05.2012 07:13 GMT
 
 
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Discurso do diretor do Banco Central, Luiz Awazu Pereira da Silva, no II Colóquio Internacional “Poupança, Investimento e Moeda no Brasil Perspectivas Franco-Brasileiras”


Brasília, 8 de novembro de 2011.

Discurso do diretor do Banco Central, Luiz Awazu Pereira da Silva, no II
Colóquio Internacional “Poupança, Investimento e Moeda no Brasil:
Perspectivas Franco-Brasileiras”

Prezadas Senhoras e Senhores

Inicialmente, agradeço o convite para participação na abertura deste colóquio,
que aborda temas de especial relevância para o desenvolvimento econômico e
social do País, sobretudo em um contexto atual de grandes complexidades e
desafios para a economia global. Entendo que a oportunidade de
compartilhamento de perspectivas internacionais sobre o financiamento
sustentável do crescimento é de fundamental importância para a identificação
de estratégias voltadas ao aprimoramento dos padrões de crescimento da
economia global em geral e brasileira em particular.

Os temas que serão abordados aqui se relacionam com os  desequilíbrios
globais entre padrões diferentes de poupança e consumo que se refletem nos
balanços de pagamentos das grandes zonas econômicas e formam o pano de
fundo da crise econômica de 2008-2011.

Quero fazer três rápidas observações:

Primeiro sobre como esses desequilíbrios explicam a gravidade da crise
atual.

Sabíamos que o ciclo de crescimento global pré-crise tinha fragilidades
estruturais: havia excesso de consumo em muitos países avançados,
financiado por crédito e pela poupança dos países com superávit exportador;
excessos simétricos de consumo e poupança necessitavam um reequilíbrio
através de reformas estruturais, de reversão de incentivos e comportamentos
microeconômicos, e de mudanças de gestão macroeconômica de maneira
coordenada em todas as zonas da economia global. Mas isso não aconteceu
em tempo hábil; ao contrário, exacerbou-se o excesso de consumo de um lado,
multiplicando-o através do crédito e da intermediação financeira usando
produtos financeiros complexos que fragilizaram os balanços do sistema 2
financeiro global. A crise revelou essas vulnerabilidades nos bancos, o excesso
de endividamento das firmas e famílias e sua profundidade e gravidade tornou
necessária a intervenção em grande escala do setor público nas economias
avançadas.

A complexidade do cenário econômico internacional explica-se porque a saída
de crises de sobre-endividamento é sempre mais demorada. Por quê? Ela
necessita a implementação e superação de processos de ajuste e
desalavancagem de balanços, sejam eles privados ou públicos. A essa
característica estrutural se somou uma combinação de fatores conjunturais nos
EUA e na Europa que tornou o ambiente econômico internacional
especialmente volátil e complexo.

E essa situação tem afetado negativamente a confiança dos agentes
econômicos, com reflexos nas perspectivas de crescimento de economias
maduras e repercussão em economias emergentes.

Segundo, apesar da gravidade da crise, no Brasil os nossos fundamentos
são sólidos e nossas reações de política adequadas.

Cabe salientar que a relativa tranquilidade com que a nossa economia e o
sistema financeiro brasileiro vêm atravessando as recentes turbulências reflete
a solidez dos resultados do nosso arcabouço macroeconômico e de sua
capacidade de reação rápida a eventos de crise.

A economia brasileira passou por uma profunda transformação nos últimos
anos. Há mais de uma década vivemos em um ambiente de estabilidade, fruto
de um arcabouço de políticas econômicas consistentes, firmado no tripé de um
regime de metas de inflação, de um regime de câmbio flutuante e da
consolidação fiscal. Combinado com a adoção de outras políticas públicas, este
arcabouço de política econômica permitiu que o Brasil retomasse o processo
de crescimento sustentável e inclusivo sob fundamentos sólidos.

Esses fundamentos sólidos foram aprimorados pela adoção de medidas
tempestivas de caráter preventivo ao longo dos últimos meses. Isso porque
temos sempre alertado sobre a complexidade do cenário econômico
internacional e a necessidade de prevenção de seus desdobramentos
negativos. As medidas tiveram como efeito:

 Redução da exposição cambial de bancos e melhora da qualidade dos
recentes fluxos de capital para o Brasil, com aumento dos prazos de
maturidade e predominância de Investimento Estrangeiro Direto (IED).

 Ampliação dos nossos colchões de liquidez, tanto em divisas internacionais
quanto em Reais, o que nos dá mais tranquilidade para enfrentarmos
períodos adversos na economia internacional.

 Moderação do crescimento do crédito, convergindo para um ritmo
sustentável;

E a crise não tira as perspectivas para a economia brasileira, que são
favoráveis para as próximas décadas. Há inúmeras oportunidades de
investimentos, as quais demandarão recursos inclusive de poupança externa: é
natural que parcela desses investimentos seja realizada com capitais
estrangeiros. Ademais, estamos num claro processo de internacionalização das
empresas brasileiras. Seja por meio da ampliação das exportações, inclusive
para novos mercados, ou da instalação de unidades produtivas em outros
países. E essas características fazem com que, nos últimos anos, o Brasil
venha se beneficiando de um intenso fluxo de investimentos estrangeiros.

Terceiro, a nossa solidez macroeconômica se completa por um quadro de
regulação prudencial mais rigoroso que o adotado pela maioria dos países,
o que permitiu a proteção ao Sistema Financeiro Nacional (SFN) nos
momentos de maior turbulência internacional decorrentes da recente crise.
Temos um SFN com solidez em seu nível de capital, em seu sistema de
provisionamento, na qualidade, regularidade e intensidade de sua supervisão,
etc.

No entanto, trata-se de um rigor positivo que não busca em nenhum momento
impedir o pleno desenvolvimento do setor financeiro.

Essa solidez é a base para a nossa estabilidade financeira e garante a
confiança de nossos depositantes e investidores. Essa estabilidade permite
ainda o desenvolvimento do nosso mercado de crédito em condições
sustentáveis e oferece boas perspectivas para o crescimento de  nosso
mercado doméstico de capitais.

E destaco ainda que estamos a caminho de aprimoramentos: nos últimos dois
anos, participamos ativamente do processo de discussão e aperfeiçoamento da
regulação prudencial internacional. O acordo de Basiléia III, o qual  apoiamos
integralmente, irá contribuir para que tenhamos regras prudenciais harmônicas
e um sistema financeiro internacional mais seguro e estável nos próximos
anos.

Como membro do Comitê de Basileia, o Brasil assumiu o compromisso de
implementação das recomendações segundo o cronograma estabelecido, com
início em 2013.

Senhoras e Senhores

O Brasil vive um excelente momento na sua história econômica recente.
Reunimos condições para crescermos de forma sustentável pelas próximas
décadas. E o Governo está plenamente empenhado com políticas públicas
para que este cenário se concretize e se traduza em benefícios efetivos para
toda a sociedade. Temos fundamentos macroeconômicos sólidos, políticas
adequadas de reação a crise e um quadro prudencial e regulatório rigoroso. Ou
seja, temos perspectivas excelentes e todas as condições para crescer de
forma sustentável e sem desequilíbrios. Temos tido sucesso, inclusive
favorecendo a inclusão social.

Mas o atual contexto econômico internacional é complexo. Crises demandam
respostas rápidas, abrangentes e mensagens harmônicas e claras por parte
dos formuladores de políticas econômicas.

Algumas características dos problemas nos países avançados mostram que
mesmo quando encontradas, as soluções para crises dessa natureza, de
sobre-endividamento, têm consequências de longa duração. Por isso, o cenário
para os próximos anos é muito provavelmente de baixo crescimento das
economias maduras. E no curto prazo, estamos vivendo um período de maior
volatilidade e incertezas.

Diante dos prognósticos para os contextos interno e externo nos próximos
meses, o Banco Central do Brasil continuará vigilante aos desdobramentos em
curso da economia global, adotando, sempre que necessário, medidas para
assegurar a solidez do SFN e a funcionalidade dos mercados brasileiros.

Muito obrigado
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