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Discurso do diretor do Banco Central, Luiz Awazu Pereira da Silva, no II Colóquio Internacional “Poupança, Investimento e Moeda no Brasil Perspectivas Franco-Brasileiras”
Brasília, 8 de novembro de 2011. Discurso do diretor do Banco Central, Luiz Awazu Pereira da Silva, no II Colóquio Internacional “Poupança, Investimento e Moeda no Brasil: Perspectivas Franco-Brasileiras” Prezadas Senhoras e Senhores Inicialmente, agradeço o convite para participação na abertura deste colóquio, que aborda temas de especial relevância para o desenvolvimento econômico e social do País, sobretudo em um contexto atual de grandes complexidades e desafios para a economia global. Entendo que a oportunidade de compartilhamento de perspectivas internacionais sobre o financiamento sustentável do crescimento é de fundamental importância para a identificação de estratégias voltadas ao aprimoramento dos padrões de crescimento da economia global em geral e brasileira em particular. Os temas que serão abordados aqui se relacionam com os desequilíbrios globais entre padrões diferentes de poupança e consumo que se refletem nos balanços de pagamentos das grandes zonas econômicas e formam o pano de fundo da crise econômica de 2008-2011. Quero fazer três rápidas observações: Primeiro sobre como esses desequilíbrios explicam a gravidade da crise atual. Sabíamos que o ciclo de crescimento global pré-crise tinha fragilidades estruturais: havia excesso de consumo em muitos países avançados, financiado por crédito e pela poupança dos países com superávit exportador; excessos simétricos de consumo e poupança necessitavam um reequilíbrio através de reformas estruturais, de reversão de incentivos e comportamentos microeconômicos, e de mudanças de gestão macroeconômica de maneira coordenada em todas as zonas da economia global. Mas isso não aconteceu em tempo hábil; ao contrário, exacerbou-se o excesso de consumo de um lado, multiplicando-o através do crédito e da intermediação financeira usando produtos financeiros complexos que fragilizaram os balanços do sistema 2 financeiro global. A crise revelou essas vulnerabilidades nos bancos, o excesso de endividamento das firmas e famílias e sua profundidade e gravidade tornou necessária a intervenção em grande escala do setor público nas economias avançadas. A complexidade do cenário econômico internacional explica-se porque a saída de crises de sobre-endividamento é sempre mais demorada. Por quê? Ela necessita a implementação e superação de processos de ajuste e desalavancagem de balanços, sejam eles privados ou públicos. A essa característica estrutural se somou uma combinação de fatores conjunturais nos EUA e na Europa que tornou o ambiente econômico internacional especialmente volátil e complexo. E essa situação tem afetado negativamente a confiança dos agentes econômicos, com reflexos nas perspectivas de crescimento de economias maduras e repercussão em economias emergentes. Segundo, apesar da gravidade da crise, no Brasil os nossos fundamentos são sólidos e nossas reações de política adequadas. Cabe salientar que a relativa tranquilidade com que a nossa economia e o sistema financeiro brasileiro vêm atravessando as recentes turbulências reflete a solidez dos resultados do nosso arcabouço macroeconômico e de sua capacidade de reação rápida a eventos de crise. A economia brasileira passou por uma profunda transformação nos últimos anos. Há mais de uma década vivemos em um ambiente de estabilidade, fruto de um arcabouço de políticas econômicas consistentes, firmado no tripé de um regime de metas de inflação, de um regime de câmbio flutuante e da consolidação fiscal. Combinado com a adoção de outras políticas públicas, este arcabouço de política econômica permitiu que o Brasil retomasse o processo de crescimento sustentável e inclusivo sob fundamentos sólidos. Esses fundamentos sólidos foram aprimorados pela adoção de medidas tempestivas de caráter preventivo ao longo dos últimos meses. Isso porque temos sempre alertado sobre a complexidade do cenário econômico internacional e a necessidade de prevenção de seus desdobramentos negativos. As medidas tiveram como efeito: Redução da exposição cambial de bancos e melhora da qualidade dos recentes fluxos de capital para o Brasil, com aumento dos prazos de maturidade e predominância de Investimento Estrangeiro Direto (IED). Ampliação dos nossos colchões de liquidez, tanto em divisas internacionais quanto em Reais, o que nos dá mais tranquilidade para enfrentarmos períodos adversos na economia internacional. Moderação do crescimento do crédito, convergindo para um ritmo sustentável; E a crise não tira as perspectivas para a economia brasileira, que são favoráveis para as próximas décadas. Há inúmeras oportunidades de investimentos, as quais demandarão recursos inclusive de poupança externa: é natural que parcela desses investimentos seja realizada com capitais estrangeiros. Ademais, estamos num claro processo de internacionalização das empresas brasileiras. Seja por meio da ampliação das exportações, inclusive para novos mercados, ou da instalação de unidades produtivas em outros países. E essas características fazem com que, nos últimos anos, o Brasil venha se beneficiando de um intenso fluxo de investimentos estrangeiros. Terceiro, a nossa solidez macroeconômica se completa por um quadro de regulação prudencial mais rigoroso que o adotado pela maioria dos países, o que permitiu a proteção ao Sistema Financeiro Nacional (SFN) nos momentos de maior turbulência internacional decorrentes da recente crise. Temos um SFN com solidez em seu nível de capital, em seu sistema de provisionamento, na qualidade, regularidade e intensidade de sua supervisão, etc. No entanto, trata-se de um rigor positivo que não busca em nenhum momento impedir o pleno desenvolvimento do setor financeiro. Essa solidez é a base para a nossa estabilidade financeira e garante a confiança de nossos depositantes e investidores. Essa estabilidade permite ainda o desenvolvimento do nosso mercado de crédito em condições sustentáveis e oferece boas perspectivas para o crescimento de nosso mercado doméstico de capitais. E destaco ainda que estamos a caminho de aprimoramentos: nos últimos dois anos, participamos ativamente do processo de discussão e aperfeiçoamento da regulação prudencial internacional. O acordo de Basiléia III, o qual apoiamos integralmente, irá contribuir para que tenhamos regras prudenciais harmônicas e um sistema financeiro internacional mais seguro e estável nos próximos anos. Como membro do Comitê de Basileia, o Brasil assumiu o compromisso de implementação das recomendações segundo o cronograma estabelecido, com início em 2013. Senhoras e Senhores O Brasil vive um excelente momento na sua história econômica recente. Reunimos condições para crescermos de forma sustentável pelas próximas décadas. E o Governo está plenamente empenhado com políticas públicas para que este cenário se concretize e se traduza em benefícios efetivos para toda a sociedade. Temos fundamentos macroeconômicos sólidos, políticas adequadas de reação a crise e um quadro prudencial e regulatório rigoroso. Ou seja, temos perspectivas excelentes e todas as condições para crescer de forma sustentável e sem desequilíbrios. Temos tido sucesso, inclusive favorecendo a inclusão social. Mas o atual contexto econômico internacional é complexo. Crises demandam respostas rápidas, abrangentes e mensagens harmônicas e claras por parte dos formuladores de políticas econômicas. Algumas características dos problemas nos países avançados mostram que mesmo quando encontradas, as soluções para crises dessa natureza, de sobre-endividamento, têm consequências de longa duração. Por isso, o cenário para os próximos anos é muito provavelmente de baixo crescimento das economias maduras. E no curto prazo, estamos vivendo um período de maior volatilidade e incertezas. Diante dos prognósticos para os contextos interno e externo nos próximos meses, o Banco Central do Brasil continuará vigilante aos desdobramentos em curso da economia global, adotando, sempre que necessário, medidas para assegurar a solidez do SFN e a funcionalidade dos mercados brasileiros. Muito obrigado |

| Bovespa | 56590.24 | +2077.08 | +3.81% | |||
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